terça-feira, março 28, 2006

A espera

Quando tocaste à campainha às 4h da manhã e me disseste que era urgente e que mesmo eu estando a dormir e de pijama e de estarem quase 0 graus lá fora eu tinha que descer, nunca me passou pela cabeça que nunca mais te fosse ver. Desci e pedi-te para entrares. Não podias, tinhas pressa. Eram 4h da manhã, não sabias para onde ias mas tinhas pressa, claro. Estavas com um casaco preto que te ficava comprido nas mangas, um gorro vermelho escuro e um cachecol de uma cor que já não consigo recordar. Às vezes acordo a meio da noite desesperado por não me lembrar da cor desse cachecol, por não ter sido capaz de fixar todos os detalhes, de ter interpretado todos os sinais, de não ter acreditado. “Vou partir”, disseste-me. Perguntei-te para onde e porque e quando voltavas. Não te perguntei se podia ir contigo. Encolheste os ombros e sorriste com aquele sorriso que eu procurei em todas as mulheres que entraram na minha vida depois de ti. Não sei, mas espera. Eu volto. Mas quando? “Uma noite destas”. E eu esperei, e recusei todos os olhares que me eram dirigidos, todas as palavras com segundos sentidos, todos os convites velados. Mas tu não chegaste de noite, chegaste de dia e em forma de postal: “Não esperes mais”.

6 comentários: